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Permita-se


Ninguém quer falar sobre vergonha, sobre medo, sobre culpa e, quanto menos você discute, mais se tem. Para que a conexão aconteça, temos que nos permitir ser vistos - “realmente vistos”! Assim, em setembro de 2018, fiz meu primeiro post, falando sobre depressão...algo que viviam-se e vivo até hoje...mas de maneira totalmente diferente. Neste post me abri, me expus e deixei amostra todas as minhas principais vulnerabilidades....que me calaram, que me impediram de ir avante e que hoje, são minhas principais bases, transformando-me na pessoas mais forte, honesta e verdadeira que posso vir a ser! O resultado? Exemplo, inspiração e conexão!As dores são as mesmas, a vergonha é que muda como fazemos e sentimos as coisas!Não sinto mais vergonha!E hoje encontrei meu propósito..... Post completo em: https://www.facebook.com/greice.debemnoro/posts/1922885777776876:0

Aquela dor!  Aquela dor imensurável!  Este monstro que corrói você por dentro e te acompanha a cada segundo.  Ela está presente nos momentos ruins, pra te afundar mais e mais. Ela está presente nos momentos bons, pra te lembrar que eles não irão durar, ou pior, que você não é merecedor e que logo, logo, aqueles momentos ruins irão voltar.  A dor cresce a cada momento, seja bom ou ruim, porque você não é capaz mais de diferenciá-los e você escolhe sumir. Você acorda todos os dias e já não enxerga ninguém ao seu redor, pois eles se foram: “ou foi você que os expulsou?”.  Sim, não sou capaz de manter ninguém ao meu lado, não sou merecedor! E a dor fica pior e pior...e te sufoca, até que acordar todos os dias se transforma em algo impossível!  ... ai você não consegue mais... -- e quando a primeira e única coisa que você pensa todos os dias ao acordar é em “fugir deste mundo”.. ... você desiste! ...até chegar o fim!

Você já se sentiu assim?

Eu nasci assim!  E hoje, aos 41 anos, tenho o orgulho de dizer que, depois de viver 40 anos na escuridão, a mais ou menos um ano, eu nasci, pela primeira vez. Nossa, geralmente tudo que leva a este cume vem de tantas fontes diferentes, sejam psicológicas, situacionais ou químicas.... e adivinha? Eu tive todas elas...durante toda minha vida! Cada vez que a vida me dava uma brecha, logo, logo vinha aquele bomba! E olha, que eu parecia forte. Até que eu percebi que nunca foi força.....eu tinha dentro de mim um sentimento que me mantinha viva...A RAIVA!  A raiva me guiava e me mantinha forte! Ela também me cegava, me tornava agressiva, incoerente, irracional e como aquela pessoa no texto acima, acreditava que quanto menos pessoas junto a mim melhor, porque não era justo um ser como eu perto delas. Eu não merecia! Eu as fazia sofrer! Eu não era capaz! Eu dormia ao lado do meu filho de três anos de idade e não conseguia tocá-lo, e a única coisa que eu pensava era: “eu preciso livrá-lo de mim...pois eu não o mereço”. Minha primeira tentativa de suicídio foi aos 8 anos de idade! E tantas outras posteriores vieram, pois a única certeza que eu tinha é que eu “NÃO QUERIA ESTAR AQUI”.  Até que em outubro de 2016, após minha ultima tentativa, desisti de tentar!  E algo inusitado aconteceu: A RAIVA FOI EMBORA! E eu fiquei vazia! Não, não fiquei, porque aquela dor que te falei lá encima, ela se espalhou tão profundamente, que tomou conta do espaço ocupado pela raiva.  O buraco cresceu e eu entrei nele de cabeça! Até que, em meio a tantas atitudes ilógicas, resolvi ir!  Lembro bem aquela manhã: dia 28 de março de 2017.  Acordei, beijei meu filho, olhei de longe para meu marido e fui para um evento. Eu não ia voltar! Tudo estava organizado.. eu ia dirigir pra longe e fazer o que é preciso ser feito! Pra que ninguém pudesse me impedir, para quando me encontrassem pudesse ser tarde demais!. Logo que saí, meu marido acordou angustiado. Nós não nos falávamos a algum tempo. Ele conta que, mesmo não sendo uma pessoa espiritualizada, em meio ao desespero, pediu uma luz...olhou para o nosso bar...e pegou um pequeno livro que estava lá a muito tempo. Ao abrir o livro, lá estava escrito tudo que se passava dentro de mim....lá explicava sobre o monstro, sobre a dor....sobre a incapacidade, a irracionalidade, sobre o possível fim! Ele e meu filho foram ao meu encontro e, quando os vi, tudo que senti foi ódio....eu não os queria ali... Ao voltarmos para casa, em silêncio, nosso filho saiu do carro e eu permaneci ali! Meu marido voltou-se pra mim e eu disse: “não vou entrar, não posso mais, preciso ir”. Foram momentos dolorosos em que, pela primeira vez pude gritar sobre minha dor, porque já não me preocupava com seu julgamento e, pela primeira vez, ele ouviu, sem julgar! Eu estava decidida!  Até que ele me pediu uma ultima coisa: “me dá um ano apenas!” E eu, já sem força respondi: “não sei se consigo, não posso prometer”.

Hoje fazem exatamente um ano e cinco meses em que nasci! Eu consegui!

Mas não foi sozinha!  Fui diagnosticada com Síndrome Bipolar Depressiva Hereditária. Sim, meu pai tem, o pai do meu pai tinha e meu filho poderá ter. Precisei de ajuda psiquiátrica e química, para fazer meu cérebro poder responder corretamente. Precisei de ajuda psicológica para entender a nova realidade, pois eu realmente não a conhecia! Eu não me conhecia!  Mais do que tudo, precisei da ajuda da minha família! O que entendi neste processo, é que JULGAR É FACIL! E que ninguém está preparado para “SABER LIDAR” com tudo isso. Minha família, meus amigos...ninguém que não tenha sentido a mesma coisa, em algum momento de sua vida, está preparado para compreender e, muito menos ajudar!  Mas a minha família quis! Ela aprendeu, mudou e evoluiu! E eu fui junto com ela.

FOI FÁCIL? Nunca é! VALEU A PENA? Meu sorriso responde esta pergunta todos os dias!

Então vamos falar? Você não está sozinho!!! Somos inclusive a maioria hoje, mas nunca nos unimos!! Eu quero e você tem que querer também!!!

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